A freguesia dos Cedros, tal como a povoação homónima do norte da ilha do Faial, deve o seu nome à abundância de cedro-do-mato (Juniperus brevifolia (Seub.) Antoine), cuja valiosa madeira foi um dos incentivos à colonização do local. Aliás, isto mesmo refere Gaspar Frutuoso, escrevendo nos finais do século XVI, quando afirma que “Além, corre a rocha muito alta e lançada ao mar, vestida de arvoredos de cedros, louros e pau branco, e povoada de muitas cabras bravas do capitão, ao cimo da qual (que é terra de pão) vivem três ou quatro vizinhos, fregueses de Santa Cruz; ali se chama os Cedros, por haver muitos deles”.

O alcantilhado do terreno e a elevada altitude e a grande exposição aos ventos levou ao desenvolvimento de núcleos populacionais isolados, autênticas aldeias de montanha, algo pouco comum no povoamento açoriano, em geral linear e prolongando-se ao longo dos eixos viários. Assim, a freguesia dos Cedros é composta por três lugares, distintos e separados por difíceis percursos:

  • Cedros – onde se situa o centro da freguesia, com a igreja e a pequena escola (hoje encerrada por transferência dos alunos para a vila);
  • Ponta Ruiva – uma pequena aldeia sita 5 km a nordeste dos Cedros, sobre uma alta falésia costeira;
  • Alagoa – sito no profundo vale da Ribeira da Alagoa, a cerca de 1 km a sul dos Cedros. O lugar já não tem habitantes permanentes. Foi neste local edificado a Bateria da Alagoa, fortificação militar que teve por função a defesa da costa contra os frequentes ataques de piratas e corsários.

A costa alcantilada da freguesia abre-se em duas largas baías, um diante do Vale da Alagoa, repleta de ilhéus e rochedos isolados, outra frente a Ponta Ruiva, oferecendo abrigo suficiente para um pequeno portinho.

Frente à Alagoa, depois de passada a alta Rocha dos Caimbros, hoje coroada por um miradouro de onde se desfruta uma extraordinária paisagem de falésia e mar, com a ilha do Corvo em fundo, uma profusão de ilhéus, entre os quais se destaca o da Fragata, o Garajau, o Ilhéu dos Carneiros, e o Ilhéu de Álvaro Rodrigues. Este último foi cultivado até meados do século XX, tendo uma pequena nascente de água doce.

Apesar da proximidade relativa em relação à vila, a freguesia dos cedros mantém o seu carácter rural, sendo a agricultura, com destaque para a bovinicultura, a principal actividade das suas gentes, embora a carpintaria e o pequeno comércio tenham também algum destaque.

As actividades ligadas à exploração madeireira que sustentaram em grande parte a economia da freguesia decaíram até quase desaparecerem. Aproveitando o microclima ameno da Alagoa, a freguesia chegou a ter alguma produção frutícola, coisa rara nas Flores, produzindo uns perinhos, vermelhos e esverdeados, são de tamanho de grão de junça, e de muito bom sabor, e muito quentes, tem dentro uns caroçinhos como grãos de uva, que partida com o dente deixa o mesmo sabor.

Outra actividade importante foi a moagem, dispondo a freguesia de diversas azenhas, construídas ao longo da Ribeira das Barrosas e da Ribeira da Alagoa.

A demografia da freguesia acusa o grande declínio populacional que a ilha das Flores sofreu ao longo do século XX em resultado da emigração para os Estados Unidos. Actualmente com menos de 200 habitantes, a freguesia em 1890, aquando do primeiro recenseamento oficial realizado à população, tinha 361 habitantes; em 1910, 326; em 1920, 332; e em 1940, 367, o seu máximo histórico.

Até 1966, ano em que graças à instalação da Base Francesa das Flores foi construída a estrada para Ponta Delgada, os Cedros eram o término da estrada, sendo o acesso à Ponta Ruiva e a Ponta Delgada apenas pedonal (ou por mar, o tempo permitindo).

O vale da Alagoa, hoje desabitado, alberga agora um magnífico parque, com espaço para merendas e desportos náuticos.

São aspectos mais notáveis da freguesia:

  • A aldeia da Ponta Ruiva, com uma arquitectura e composição urbana muito semelhante à Vila do Corvo;
  • O parque da Alagoa;
  • A casa do Espírito Santo de Cima, construída em 1856;
  • A casa do Espírito Santo de Baixo, construída em 1861;
  • A casa do Espírito Santo da Ponta Ruiva, construída em 1861;
  • O moinho de água e a ponte da Alagoa;

Outros Locais: Miradouro da Tapada Nova, e ilhéu de Álvaro Rodrigues

  • Os ilhéus da baía da Alagoa, hoje Sítio de Interesse Comunitário ao abrigo da Directiva Habitats e da Directiva Aves;
  • O miradouros dos Caimbros, da Rocha da Gata e do Poço Comprido.
  • A elevação da Tapada Nova
  • Bateria da Alagoa

A freguesia realiza a sua principal festa, em honra de Nossa Senhora do Pilar e de São Roque, no terceiro domingo de Agosto. Tal como todas as outras comunidades açorianas, as maiores festas são as do Divino Espírito Santo, centradas em torno do domingo de Pentecostes.